Mente sã, corpo são. Seguindo a necessidade atual da sociedade, em equilibrar a correria do dia a dia com uma melhor qualidade vida, a nutrição funcional é um método alimentar que ganha cada vez mais notoriedade e adeptos no mundo. De forma dinâmica, o conceito do tratamento foge das linhas tradicionais utilizadas, para abordar e prevenir, de maneira mais humana e focada em cada indivíduo, complexas disfunções crônicas que geram malefícios à saúde.

Criada, em 1990, pelo médico Jeffrey Bland, idealizador do Instituto para Medicina Funcional (IMF), nos EUA, a nutrição funcional consiste na interação entre todos os sistemas do corpo, incluindo as relações que existem entre o funcionamento físico e aspectos psicológicos, através de um olhar específico sobre cada pessoa, muitas vezes motivadas pela inadequação da qualidade da nossa alimentação, da qualidade do ar que respiramos, da água que bebemos, do sedentarismo e alterações emocionais que passamos, sobretudo a depressão.

No Brasil, apesar de ser relativamente nova, chegou em 2003 com os primeiros programas de pós-graduação, a nutrição funcional logo foi colocada como uma das principais opções para profissionais da área, tanto que, o país tem hoje o maior projeto mundial de formação de especialistas na área. Já são mais de 3 mil profissionais nutricionistas pós-graduados e outros tantos em formação.

Muitos desses profissionais se debruçam para analisar a importância dos fatores externos e fases da vida, pois assim como cada corpo funciona de forma única, também se sujeita a fatores externos diferentes, causando respostas variáveis a estímulos que mudam o tempo todo. Não somente estamos nos referindo a um meio ambiente que nos expõe a poluição, a um estilo de vida estressante e a uma alimentação contaminada. Além de ter que levar tudo isso em conta, também há de se verificar o que o paciente está vivendo no momento e quais os impactos disso na sua vida.

Assim, por meio da Nutrição Funcional é possível adequar o plano alimentar, por exemplo, para as necessidades específicas dos adolescentes, grávidas, lactantes, praticantes de atividades físicas, atletas (há variações de demandas em épocas de competições) e casos de obesidade.

A necessidade de adequações do plano alimentar durante o tratamento deve ser constantemente avaliada. Por isso, é fundamental que o profissional tenha sempre um histórico detalhado e organizado de seu paciente para verificar e controlar a evolução do seu tratamento. Daí a importância de um bom software específico para gerir todas essas informações de forma prática e rápida.

Outro ponto interessante dentro da nutrição funcional diz respeito na identificação das necessidades de cada metabolismo, tendo em vista que a diversidade dos seres humanos é inquestionável: formas, cores, alturas e etc, assim como à atividade metabólica e bioquímica, entendendo que cada corpo tem suas demandas, tanto dos tipos de nutrientes quanto das quantidades. 

Por isso, é preciso avaliar a adequação de determinados alimentos a cada paciente, pois o que pode ser excelente para um, pode ser inadequado para outro, ou deve ter uma ingestão reduzida. E somente um profissional de nutrição pode avaliar tais necessidades.

Também há a necessidade de se levar em consideração que o corpo humano é um sistema interligado e interrelacionado, funcionando de forma concomitante e interrelacionada; se há desequilíbrio em um, certamente algum outro será afetado e responderá de algum jeito. Sabe-se, por exemplo, que um desequilíbrio nutricional pode levar à disfunções hormonais, e que doenças cardiovasculares podem ser causadas por um sistema imunológico que não esteja funcionando bem. É preciso que se avalie como andam os processos bioquímicos para identificar as carências e atuar sobre elas — algo que “dietas” de internet ou revistas jamais poderão proporcionar.

Nutrição Funcional x Nutrição Tradicional

Existem algumas diferenças entre a nutrição funcional e a nutrição tradicional. A funcional considera prioritariamente a individualidade bioquímica do paciente, e, desta forma, as suas necessidades particulares, proporcionando a interação entre todos os sistemas do corpo, incluindo as relações que existem entre o funcionamento físico e aspectos emocionais.

Já a tradicional se preocupa geralmente com a saúde coletiva, buscando o estabelecimento de recomendações, as quais, se seguidas por um grupo de indivíduos, melhorarão o estado de saúde deste grupo como um todo. O modelo de conhecimento adotado geralmente é fragmentado, cartesiano, e fraciona o ser humano, desconsiderando a inseparabilidade entre as partes e a totalidade do ser. 

Entendendo melhor

Para melhor entendimento sobre a nutrição funcional, seguem algumas informações gerais:

– A Nutrição Funcional rastreia os sintomas, sinais e características do organismo de cada paciente e os relaciona com a carência ou excesso dos nutrientes, para corrigir os desequilíbrios nutricionais que geram sobrecarga no sistema imunológico e que podem provocar doenças crônicas como: obesidade, depressão, fibromialgia, artrite reumatoide, síndrome do pânico, osteoporose, diabetes, distúrbios de comportamento e hiperatividade infantil, desordens estéticas, além de alteração na performance física.

 – Os processos bioquímicos englobam os desequilíbrios nutricionais, estruturais e hormonais, o estresse oxidativo, a ecologia gastrintestinal, a desintoxicação do organismo, as alterações imunológicas e a interação corpo-mente.

– Vitalidade Positiva significa atingir a saúde integral e não apenas conseguir a ausência de doenças crônicas degenerativas.

– A nutrição funcional não tem como principal objetivo o emagrecimento, mas sim melhorar o bem-estar e o metabolismo do corpo humano.

– Além de indicar a melhor combinação de alimentos saudáveis, o nutricionista funcional também pode recomendar o uso de suplementos vitamínicos, seja em cápsulas ou probióticos, porque essa é uma ótima maneira de potencializar os resultados e, até mesmo, para otimizar a ação dos próprios alimentos.

– O princípio da nutrição funcional é que os alimentos atuam em conjunto no nosso organismo, e podem ter seus efeitos benéficos ampliados ou os efeitos maléficos diminuídos de acordo com o organismo de cada um.

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